segunda-feira, 18 de julho de 2016

A difícil arte de tomar decisões

Tomar decisões sempre foi algo muito difícil para mim. Alguns dizem que isso acontece porque sou libriana, mas eu não sei se acredito tanto assim no poder da astrologia.
Enquanto eu gerenciava “apenas” minha própria vida as coisas eram um pouco mais fáceis. Muitas vezes eu terceirizava as escolhas ou simplesmente me abstinha de decidir. Hoje eu entendo que não decidir já é por si só uma decisão bastante importante que pode mudar o rumo de muitas coisas.
A maternidade inaugura um novo nível de responsabilidade com as decisões. Aquela vida que cresceu durante 40 semanas dentro do meu corpo hoje vive e persevera como um Outro diferente. Alguém que vive, respira, sorri e brinca, mas ainda depende totalmente da minha capacidade de tomar decisões.
Essa é uma característica comum a todos os tipos de maternagem, mas no caso de mães de crianças extraordinárias as situações são mais extremas porque envolvem riscos reais e um vislumbre nada agradável da morte que sempre nos acena no horizonte.
Como, então, fundamentar uma escolha? Minha formação acadêmica faz com que eu sempre procure as evidências científicas por trás dos diferentes tratamentos, mas isso não elimina os riscos envolvidos nem os prognósticos possíveis.
Esgotadas a racionalidade e a ciência surgem as particularidades que nos fazem humanos. A capacidade de sentir e desejar profundamente algo. A fé!
É nesse momento que se conciliam ônus e bônus. Riscos e benefícios. Alegrias e tristezas. Sonhos e pesadelos. Eu respiro fundo e entrego. Confio na sabedoria por trás de toda escolha enquanto espero pelo melhor.
Assim vivi os últimos 10 meses da minha vida. Os mais difíceis, mas sem dúvida os mais maravilhosos. Desconfio que a intensidade das alegrias seja proporcional à dificuldade das escolhas que me levaram até elas...

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