Tomar decisões sempre foi algo
muito difícil para mim. Alguns dizem que isso acontece porque sou libriana, mas
eu não sei se acredito tanto assim no poder da astrologia.
Enquanto eu gerenciava “apenas”
minha própria vida as coisas eram um pouco mais fáceis. Muitas vezes eu
terceirizava as escolhas ou simplesmente me abstinha de decidir. Hoje eu
entendo que não decidir já é por si só uma decisão bastante importante que pode
mudar o rumo de muitas coisas.
A maternidade inaugura um novo
nível de responsabilidade com as decisões. Aquela vida que cresceu durante 40
semanas dentro do meu corpo hoje vive e persevera como um Outro diferente.
Alguém que vive, respira, sorri e brinca, mas ainda depende totalmente da minha
capacidade de tomar decisões.
Essa é uma característica comum a
todos os tipos de maternagem, mas no caso de mães de crianças extraordinárias
as situações são mais extremas porque envolvem riscos reais e um vislumbre nada
agradável da morte que sempre nos acena no horizonte.
Como, então, fundamentar uma
escolha? Minha formação acadêmica faz com que eu sempre procure as evidências
científicas por trás dos diferentes tratamentos, mas isso não elimina os riscos
envolvidos nem os prognósticos possíveis.
Esgotadas a racionalidade e a
ciência surgem as particularidades que nos fazem humanos. A capacidade de
sentir e desejar profundamente algo. A fé!
É nesse momento que se conciliam
ônus e bônus. Riscos e benefícios. Alegrias e tristezas. Sonhos e pesadelos. Eu
respiro fundo e entrego. Confio na sabedoria por trás de toda escolha enquanto
espero pelo melhor.
Assim vivi os últimos 10 meses da
minha vida. Os mais difíceis, mas sem dúvida os mais maravilhosos. Desconfio
que a intensidade das alegrias seja proporcional à dificuldade das escolhas que
me levaram até elas...
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